A Força da Longevidade e do Empreendedorismo no Coração dos Açores: uma Experiência de Imersão e Propósito
Há eventos em que participamos apenas como observadores ou conferencistas. E há aqueles que vivemos em sua plenitude, onde cada conexão estabelecida e cada diálogo travado ressoa como um chamado para o futuro. Minha recente passagem por Ponta Delgada, na exuberante Ilha de São Miguel, Açores, para o PDL Green Tech e para o programa Azorean Gastronomy, enquadra-se, sem hesitação, na segunda categoria.
Escrever sobre esta experiência é, antes de tudo, um exercício de profunda gratidão.
Estar presente não foi apenas acompanhar um cronograma de aceleração; foi sentir a pulsação de um ecossistema vibrante onde a tecnologia, o território e as pessoas caminham em simbiose absoluta.
Expresso o meu mais sincero agradecimento a Miguel Gonçalves, Francisco Miguel Banha e ao visionário Francisco Banha, CEO da GesEntrepreneur, pelo convite e pela confiança em me permitir atuar como mentora e palestrante nestas iniciativas de vanguarda.
GesEntrepreneur: A Construção Real do Ecossistema Empreendedor
É imperativo começar destacando o trabalho hercúleo realizado pela GesEntrepreneur.
No cenário do empreendedorismo global, muitas organizações limitam-se à retórica metodológica. Contudo, sob a condução estratégica de Francisco Banha, Miguel Gonçalves e Francisco Miguel Banha, o que testemunhei foi uma organização que constrói pontes tangíveis entre ideias embrionárias e oportunidades de mercado reais.
O apoio da GesEntrepreneur ao empreendedorismo não é apenas um serviço; é uma missão. Eles não entregam apenas ferramentas; entregam acesso, curadoria e, acima de tudo, direção.
No âmbito do programa Azorean Gastronomy, promovido com o apoio fundamental do Turismo de Portugal, essa excelência operacional tornou-se evidente. O foco em startups de gastronomia, restauração e sustentabilidade alimentar nos Açores é um exemplo de como a inovação pode — e deve — ser enraizada na identidade de um território.
Azorean Gastronomy: Parceria e Inovação com Raízes
Como parceira deste programa, tive o privilégio de conviver com empreendedores que não estão apenas desenvolvendo modelos de negócio, mas criando soluções que carregam o ADN açoriano com um olhar global. É inspirador ver como a inovação pode ser um veículo de preservação e valorização cultural.
Destaco aqui o vigor de projetos e mentes que moldam o futuro do arquipélago:
- André Toste (Solarenzy): Pioneiro em soluções energéticas que provam que a sustentabilidade é o combustível da economia moderna.
- Marizsa Furtado (Cozinhando com o Vulcão): Um projeto que transborda autenticidade ao conectar a geologia única dos Açores à alta gastronomia.
- Felipe Fernandes (Windcredible): Uma visão audaciosa sobre energia eólica e o potencial renovável das ilhas.
- Pedro Cota (Bizex): Estrategista focado no desenvolvimento e na escalabilidade necessária para que a inovação saia da redoma local.
- Luis Rato: Um exemplo de empreendedorismo multifacetado. Sua trajetória na Verso Move e na Food Trucks Factory, aliada à fundação da Associação de Street Food Portugal junto ao Chef Chakall e José Borralho, demonstra como a mobilidade e a gastronomia urbana são pilares da economia contemporânea.
A sinergia entre estes nomes e o suporte de figuras como Manuela Carvalho (Turismo de Portugal), Nuno Alves (Science351), Joana Saavedra (Associação Portuguesa de Bambu) e Paulo Mendes (Unoffice) cria uma rede de suporte raramente vista em programas de aceleração.
PDL Green Tech: O Palco da Liderança Climática no Atlântico
O PDL Green Tech consolidou Ponta Delgada como um laboratório de inovação climática.
A abertura solene no Salão Nobre da Câmara Municipal, com a presença do Presidente Pedro Nascimento Cabral, do Secretário Regional Alonso Miguel, de Catarina Miranda e de Francisco Banha, selou o compromisso político e econômico dos Açores com a transição verde.

Um dos momentos intelectuais mais potentes foi o keynote de James Ellsmoor (Island Innovation, UK), entrevistado por Luis Caixado, Education Changer, na GesEntrepreneur. A premissa “Small Islands, Big Innovation” ressoou em cada painel técnico. Territórios insulares, por sua escala e isolamento geográfico, são os locais ideais para testar soluções de economia circular e energias limpas que podem, posteriormente, ser exportadas para o mundo.
A Montra do Futuro em Sete Cidades
O cenário icônico da Lagoa das Sete Cidades serviu de palco para o Green Pitch, onde o capital encontrou a inovação. Startups como Bam•bu bicycles, Ecocubo, Atlantic Peak Farm e Adega do Vulcão demonstraram que a rentabilidade e os critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) não são excludentes, mas sim interdependentes.
O debate moderado por nomes como Carlos Mendes, Roberto Lino e Francisco Brandão reforçou a maturidade tecnológica que os Açores alcançaram.
Mesa Redonda na Boa Fruta: Inclusão e Transição Justa.
Se houve um momento que cristalizou minha visão sobre o evento, foi o Networking Sunset na sede da Boa Fruta, uma das principais produtoras de Ananás dos Açores da região
Em meio à plantação de ananases (abacaxis) — um símbolo de resiliência e tradição — participamos de uma mesa redonda sobre Inclusão Sustentável: Pessoas, Território e Transição Justa, ao lado de Joana Saavedra e Paulo Mendes.
A discussão partiu de uma premissa fundamental: não existe transição verde nem digital sem transição justa. Enquanto o mundo técnico se perde em métricas de carbono e escalas de investimento, nós decidimos colocar as pessoas no centro da conversa.

O Meu Contributo: Longevidade e Conexão entre Gerações
Neste palco potente, trouxe para o debate um tema urgente e muitas vezes negligenciado nos fóruns de tecnologia.
Foi emocionante falar sobre a desconstrução do idadismo e o papel das pessoas 55+ na nova economia. Minha tese é clara: a sustentabilidade de um território só é real se for intergeracional.
Se a sustentabilidade é também qualidade de vida, devemos ter a longevidade como ativo social e econômico, atitude que nos faz repensar o conceito de talentos e nos obriga a inclusão de forma intergeracional.
Muito apropriado poder falar sobre minhas experiências nas Blue Zones da Sardenha, Ikaria e Okinawa, ilhas onde a longevidade e a qualidade de vida de seus habitantes são exemplares a ponto de nos inspirar a seguir suas práticas de vida ativa e saudável.
A conexão com as visões de Paulo Mendes sobre integração e de Joana Saavedra sobre economias inovadoras baseadas em materiais naturais, como o bambu, provou que soluções complexas exigem olhares diversos e inclusivos.
Os Açores como Laboratório do Futuro Humano
São Miguel oferece algo que as grandes metrópoles perderam: a escala humana e a identidade forte. Ali, a inovação não é um conceito abstrato; é uma prática de sobrevivência e prosperidade.
O workshop “Da Terra à Mesa com Desperdício Zero”, no Restaurante Anfiteatro, com a participação dos chefs Paulo Freitas, Chef Restaurante Anfiteatro, em Ponta Delgada e Cláudia Mataloto, Chefe da Divisão de Valorização do Produto Local na empresa municipal Cascais, validou o ciclo de inovação circular que o programa propõe.
A experiência imersiva proporcionada pela Futurismo Azores Adventures, na Caldeira das Sete Cidades foi o fecho perfeito para este ciclo de aprendizado.
Caminhar por cones vulcânicos e vegetação luxuriante recorda-nos o porquê de estarmos a lutar pela sustentabilidade: a preservação da vida em sua forma mais dramática e bela.

O Amanhã Constrói-se com Intenção e Memória
Esta experiência trouxe-se uma convicção reforçada de que o futuro não será construído apenas com silício e algoritmos. O futuro será construído com pessoas, propósito e, acima de tudo, colaboração.
Reitero minha gratidão a Miguel Gonçalves e Francisco Miguel Banha pelo convite.
O trabalho consistente que realizam na GesEntrepreneur é a prova de que é possível inovar sem perder a essência. A todos os empreendedores com quem tive a honra de partilhar mentorias: vocês são a evidência viva de que a inovação só se transforma em impacto quando é construída em comunidade.
Nos Açores, isso não é apenas um discurso. É a realidade que tive o privilégio de viver. Que as sementes plantadas nestes dias em Ponta Delgada floresçam e inspirem outros territórios a entender que a verdadeira transição verde começa pelo coração e pela mente de cada indivíduo, independentemente da sua idade ou origem.
O futuro é verde, é digital, mas, acima de tudo, é humano e intergeracional.








