Marrakech –  o melhor ponto de partida em uma viagem ao Marrocos

De sua agitada vida central à serenidade de seus jardins palacianos

 

Em continuação ao meu relato no post  “O que fazer em cinco dias em Marrocos – parte I“, conto aqui o meu day tour em Marrakech, e a sequência de minhas aventuras no belo Marrocos.

3º Dia – 27.12.18 – Tour em Marrakech

Tour privado, de um dia, totalmente a pé, com o guia especializado Said Faouzi, no valor de 60 euros.

Lá pelas nove da manhã, Said Faouzi e eu nos encontramos em meu hotel Mogador Opera Hotel & Spa, na Avenida Mohammed VI, em Marrakech, uma importante e bela avenida da cidade, próxima do centro histórico da cidade.

O dia estava intensamente claro e a temperatura amena. Excelente para a uma caminhada.

Saímos a pé do hotel em direção à Mesquita Koutoubia, a maior de Marrakech, e dentro das muralhas que demarcam a cidade antiga.

Entramos pelos seus belos jardins, repletos de laranjeiras carregadas.

Mesquita Koutoubia

Mesquita Koutoubia

A Mesquita Koutoubia é um belíssimo exemplar da arte Moura. A edificação é ornada com faixas de cerâmica islâmica, pequenos arcos, ameias pontiagudas no parapeito, tudo isso arrematado por quatro esferas de cobre em seu topo.

Mesquita Koutoubia

Minarete da Mesquita Koutoubia

 

Imponente, sua torre de 69 metros, reina em frente à praça Jemaa el Fna  é a mesquita mais importante de Marrakech, e foi uma das maiores do mundo islâmico quando ao término de sua construção, em 1158.

Assim como no resto das mesquitas da cidade, a entrada é proibida aos que não são muçulmanos e você terá que se conformar em vê-la só de fora.

Seu minarete  serviu de modelo para as mesquitas de Rabat, com a Torre Hassan e de Sevilha (Espanha) com a Giralda.

 

 

Conhecer a Mesquita Koutoubia, de seus jardins até a sua entrada principal, foi incrível, pois deixei uma área tranquila e serena para logo estar no rebuliço da praça mais importante e famosa da cidade, a Jemaa El-Fna localizada em frente ao templo religioso.

Praça Jemaa El-Fna

Em frente à majestosa Koutoubia lá está a praça mais excêntrica de Marrakech – a Jemaa el-Fna.

Jemaa el-Fna.

Jemaa el-Fna.

Imensa e pulsante no centro histórico da cidade, a praça reúne diariamente encantadores de serpentes, videntes, dentistas, prestadores de serviços diversos, acrobatas, e tudo o mais que você possa imaginar.

Barracas de comidas típicas, vendedores de chás e artistas dos mais variados ramos, ali pude ver.

Tudo e todos, frenética e exoticamente a trabalhar, atraíam turistas de todo o planeta.

Jemaa el-Fna.

Praça Jemaa el-Fna.

Nunca imaginei poder ver uma naja tão de perto.

Nem mesmo um encantador de serpentes, que de encantador não tinha nada.

Tinha em minha mente eu tinha a imagem de um homem tocando uma flauta para que a cobra saísse do cesto, como nos desenhos animados que via quando menina. Mas não era nada disto. As cobrinhas estavam ali paradas, só aguardando serem provocadas por um chato que as cutucam com uma espécie de pandeiro (útil para recolherem os propinas tão esperadas). Enquanto isto, um outro homem toca um clarinete desesperadamente, como que para representar o encantador. Eram mais irritadores de serpentes (risos).

Na contramão do turismo sustentável, quis uma foto com as najas. Enquanto meu guia fazia o registro, outro chato insistia em colocar uma cobra ao redor de meu pescoço, sem que eu houvesse pedido.

Talvez ele esperava que eu ficasse assustada ou curiosa por ter um réptil como colar. Mas, nada disso. Não estava nem um pouco interessada, porque eu já havia tido tal experiência, por duas vezes, no Projeto Jiboia, em Bonito, Mato Grosso do Sul. Não precisava pegar a bichina de novo. (risos).

 

 

Ao final da sessão de fotos com as najas, entreguei a cobrinha para o chato como quem devolve um produto qualquer, e seguimos para a Medina.

Medina

Do século XII são as muralhas que cercam o centro histórico de Marrakech – a Medina.

São 14 quilômetros e dez portas de entrada. Somente por poucas entram os carros.

Muralhas e uma das entradas para a Medina

Muralhas e uma das entradas para a Medina

O melhor está no interior caótico e emaranhado da cidade fortificada.

Corredores, vielas, aromas, tendas, motos, jumentos de carga e gatos (há muitos gatos em Marrakech), vendedores e turistas alucinados circulam num dos mais limpos e interessantes mercados que já conheci.

Manteiga Ghee

Manteiga Ghee

Óleo de argan, e seus produtos derivados, roupas, comidas típicas, prataria, lustres árabes, frutas secas, manteiga ghee, dezenas de variedades de azeitonas, quadros, especiarias divinas e raras ali aguardam seus compradores, ao menor preço que você conseguir, pois a barganha é esperada…e conseguida.

Fiquei muito impressionada com este lugar repleto de pessoas indo e vindo, e, ainda assim, a limpeza das ruas e vielas era de fazer gosto. Foi impossível não comparar com o mercado Khan El Kalili, no Cairo, onde a sujeira era algo um tanto quanto chocante.

 

Ruas da Medina

Ruas da Medina

Neste dia, o nosso almoço foi na própria Medina, e na forma mais marroquina possível.

O Guia Said Faouzi me levou para comer Slow-roasted Lamb (cordeiro assado lentamente) no Mechoui Alley – uma rua pequena na Medina central.

Neste beco funcionam minúsculos restaurantes take away, com uma única mesa ao fundo onde moradores, comerciantes da região e turistas almoçam fartamente. Todos sentam juntos e comem seu cordeiro, com as mãos, junto a pedaços de pão marroquino e nada mais.

Pequeno restaurante de Slow-roasted lamb

Pequeno restaurante de Slow-roasted lamb

Forno típico cavado no solo para assar os cordeiros

Forno típico cavado no solo para assar os cordeiros

O Chef servindo lamb, a kilo.

O Chef servindo lamb, a quilo.

O exótico de tudo é a forma como os cordeiros são assados. Em fornos encravados no chão, colocam até 30 cordeiros inteiros para que sejam cozidos lentamente.

Da mesa em que estávamos, Said, eu e um casal local, podíamos espiar o interior do buraco quando as carnes eram puxadas com ganchos. A iguaria era cortada no balcão, e vendida a quilo. Veja o vídeo que eu fiz mostrando o interior do forno, e um pouco mais da Medina.

Foi uma experiência única e inesquecível poder comer em um lugar tão histórico, rico e excitante de Marrakech.

Poder vivenciar a cultura e os gostos do lugar são oportunidades que fazem acreditar no poder e valor de saúde e crescimento pessoal que o turismo e viagens podem nos proporcionar.

Sugiro a você nunca perder a oportunidade de fazer o mesmo, pois, além do exotismo da experiência, você vai se sentir muito bem.

Palácio da Bahia

Saímos da agitada vida no mercado e fomos para o doce e sereno ambiente real existente no Palácio da Bahia.

Antigo palácio erguido no final do século XIX, o Palácio da Bahia reúne pequenas mansões com arquitetura islâmica e muçulmana. Seus jardins ocupam uma área de 8 mil m2, e seus ambientes abrem-se para páteos interiores.

Suas salas são ricamente decoradas com lareiras de zellij (azulejos coloridos marroquinos) e tetos de madeira pintada e estuque esculpido, além das janelas de vitral.

Palácio da Bahia

Palácio da Bahia

Detalhes de teto e parede no Palácio da Bahia

Detalhes de teto e parede no Palácio da Bahia

 

A riqueza de detalhes artísticos que se vê no Palácio da Bahia é algo sem precedentes.

Inúmeros são os cômodos, e nenhum possui seu teto e decoração de paredes iguais.

De cabeça para o alto, muito tempo levei reverenciando os artistas, reis e mecenas que um dia realizaram obras de arte de tamanha delicadeza e opulência.

 

 

Detalhes de um dos tetos e pórticos do palácio da Bahia

Detalhes de um dos tetos e pórticos do palácio da Bahia

 

Jardim Majorelle

Alameda de palmeiras imperiais no Jardim Majorelle

Alameda de palmeiras imperiais no Jardim Majorelle

Deixamos o Palácio Bahia e o centro histórico e fomos aos famosos Jardim Majorelle de Marrakech.

Fundado pelo pintor francês Jacques Majorelle, o Jardim Majorelle é uma ilha de paz e bom gosto no meio de Marrakech. Árvores exóticas, plantas de todo o mundo, espelhos d’água e um paisagismo que nos fazem querer ficar horas em meio a suas maravilhas.

Majorelle levou 40 anos para criar este magnífico jardim, e no lugar de seu antigo atelier, um museu dedicado à cultura berbere ali foi instalado.

Em 1980, o estilista Yves Saint-Laurent e o empresário Pierre Bergé compraram o lugar e, felizmente, impediram que se transformasse em empreendimento hoteleiro.

Espelho d'água no Jardim Majorelle

Espelho d’água no Jardim Majorelle

Quando Yves Saint-Laurent faleceu, suas cinzas foram lá espalhadas, e um memorial foi construído em sua homenagem.

Memorial a Yves Saint-Laurent e Pierre Bergé

Memorial a Yves Saint-Laurent e Pierre Bergé

Desde 2010, o Jardim Majorelle é propriedade da Fundação Pierre  Bergé – Yves Saint-Laurent.

Eu no Jardim Majorelle

Eu no Jardim Majorelle

 

Encerramos nosso day tour ao final da tarde, e eu voltei ao hotel.

Descansei um pouco, voltei, sozinha, à Mesquita Koutoubia para ver o famoso por-do-sol de Marrakech de um ponto de vista privilegiado.

Foi mágico ver o dourado céu marroquino ao som do chamado para orações que soava dos alto falantes da mesquita (veja no vídeo que fiz)

por-do-sol em Marrakech

por-do-sol em Marrakech

Havia andado o dia inteiro. Mais de quinze quilômetros de caminhada. Corpo cansado mas com a mente repleta de novos conhecimentos, emoções e aprendizado.

Minha alma transbordava de contentamento e orgulho pela conquista de mais um pouquinho de Mundo em meu interior.

Espero que tenha gostado deste meu relato, tenha lido a primeira parte da aventura em Marrocos, e aguarda a terceira parte com minha viagem a Ouarzazate e região.

Veja ainda o vídeo que fiz das aventuras na Medina.

Muito obrigada!

Silvia Triboni

 

 

 

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